No meu último post, comentei um pouco sobre Cuiabá e seus pontos turísticos, no entanto recebi um comentário, ou melhor dizendo, ‘uma dica’ da nossa leitora Angela para escrever sobre Nobres. Portanto estou aqui para atender seu pedido tomando emprestado um artigo da Agência Anaconda MT e espero que gostem!
Para se chegar a certos lugares do mundo, só mesmo com uma boa dose de vontade e a certeza de que vai valer a pena. Quando planejava minha visita ao Mato Grosso, a agência de viagens recomendou um passeio que, a princípio, nada tinha de especial. Assim que recebi a descrição do lugar, passei a ter mais receio do que me esperava: uma longa viagem por estrada de terra e asfalto e mais algumas longas caminhadas Cerrado adentro. Marcada a data, foi só arrumar a mochila, equipamento fotográfico, a inseparável garrafa de água presa na cintura e lá fui eu engolir um pó danado na estrada que leva a Nobres! Se valeu a pena? Inegavelmente o que vi por lá é mais do que lindo!
Nobres fica a 140 km de Cuiabá, dos quais quase 100 km são percorridos por estrada de terra, que com o tempo seco, é só poeira. Nessas condições, sempre que passa um carro mais rápido, pronto, levanta aquela terra vermelha que tinge a vegetação local ao longo da estrada. O aspecto é desolador, parece que estamos no fim do mundo, nada muda na paisagem daquela zona de transição entre o Cerrado e a Amazônia, uma vegetação monocromática por conta da seca e o céu esbranquiçado por causa das abundantes queimadas que os fazendeiros fazem no meio do ano, mas o esforço é recompensado. De vez em vez é que se encontra um imenso trecho verdejante com plantação de soja e irrigação ou uma animada comitiva que toca a boiada com um zelo impecável. A floresta de transição entre Cerrado e Amazônia não é tão carente de beleza quanto dá a entender o texto, pelo contrário, é uma área belíssima e cheia de peculiaridades. Nobres fica nessa região médio-norte do Estado do Mato Grosso, rica em formações calcárias. O que tem por lá? Um complexo de cavernas, grutas e rios com águas cristalinas, habitat natural de diversas espécies de peixes e plantas, onde se pode fazer belas trilhas, mergulhar e praticar outros esportes de aventura. Mas e o longo percurso por estrada de terra? Ah, quem é que se lembra disso quando chega em Nobres?
Nosso guia, Edmilson, da agência Anaconda, conhece bem o lugar e fala com desenvoltura sobre a vegetação e as formações calcárias. Seu gostoso bate-papo sobre o Mato Grosso é que tornou a viagem menos cansativa _ prepare-se, para conhecer certos lugares do mundo, é preciso disposição _ e assim pudemos desfrutar de um passeio a um lugar onde poucas pessoas chegam simplesmente porque não sabem que existe. São muitos os atrativos, um deles é a Gruta da Lagoa Azul, localizada no Parque Estadual da Lagoa Azul, agraciada com formações geológicas impressionantes e um exuberante lago azul, habitando por bagres cegos, pitus, cascudos, lambaris e outros. Para os olhos mais apurados, dizem que é possível perceber que a lagoa tem o formato de mapa do Brasil, além de uma imagem de Nossa Senhora em meio aos paredões. Devido à depredação que o lugar sofreu na década passada, é proibido entrar na água.
Existem outros atrativos em Nobres, como o Complexo da Cerquinha, distante 25 km da Lagoa Azul, que compreende cachoeiras, cânions e várias cavernas em que somente é permitido entrar com guia e equipamentos apropriados – as principais cavernas são a do Cerquinha , o Duto do Quebó e a Gruta da Pedra Grande.As cachoeiras também são parada obrigatória para quem vai a Nobres. Uma das principais é a do Tombador, uma queda de 70 metros localizada na região da Serra Caixa Furada, a apenas 5 km da cidade de Nobre. Em volta da cachoeira existe um caminho de pedras feito pelos bandeirantes que desbravaram o norte do Mato Grosso.Para quem gosta de água, o passeio só vai ficar completo com um mergulho no Rio Estivado, a 10 km do Parque Estadual da Lagoa Azul, à margem da rodovia MT-241. A água, como em todo lugar por ali, é cristalina e repleta de peixes- piraputangas, lambaris e piaus- que nadam bem a vontade entre os turistas. Seu Donato, proprietário de um restaurante no local, alimenta e cuida dos peixes como se fossem seus filhos.O caminho de volta a Cuiabá parece mais tranqüilo, o sol já baixo deixa o céu alaranjado, e a temperatura amena convida o visitante a uma observação mais cuidadosa da paisagem, que revela a beleza do contorno das árvores secas e até a visita das corujas buraqueiras nas cercas das fazendas.Sem dúvida, para conhecer Nobres, vale comer pó e suar com o calor, porque lá a natureza foi pródiga.
Dicas: faça as trilhas de tênis ou botas especiais para caminhadas e use boné ou chapéu e calça comprida por causa dos insetos e lascas de árvores que podem machucar as pernas. Leve com você água e frutas secas ou barrinhas de cereais, especialmente nas trilhas mais árduas. Não esqueça de colocar roupa de banho por baixo. Não jogue lixo nas trilhas, carregue sempre com você sacolinhas plásticas.
Curiosidade:
A história de Nobres está ligada à descoberta do ouro no Mato Grosso pelos bandeirantes a partir de 1719. Nas décadas seguintes, novas descobertas do metal na região deram origem a povoados que atraíram muitas pessoas para o território mato-grossense. Nobres era um deles e, por ser caminho para quem se dirigia ao norte do estado também em busca do diamantes encontrados na cidade de Diamantino, tornou-se um ponto de parada de tropeiros e viajantes.
Imagem: AlbertMamedes
Fonte: Agência Anaconda (MT)
Jeferson: É WebDesigner e criador do Guia de Mato Grosso. Atualmente trabalha na área Bancária, e nas horas vagas desenvolve projetos de utilidade pública. Frase: "Se formos todos iguais, não seremos o que realmente deveriamos ser. Então o que somos? Quando nós descobrirmos, seremos uma raridade".
Site: http://guiadematogrosso.com.br
E-mail: jeferson@guiadematogrosso.com.br


Algumas correções: A caverna da gruta do lago azul não só é proibido banho, como também entrar na mesma. Todas as cavernas de Nobres estão interditadas devido a depredação de turistas. A Cachoeira do tombador fica a 23km da cidade e não 05km como informado, e está numa área de proteção ambiental e em propriedade particular, não tendo acesso permitido à visitação turística, somente educação ambiental e estudos ambientais. A área é local de refúgio da fauna silvestre e preservação da flora característica do local. Um abraço, Alberto.